segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Leitura Solidária

Abaixo é possível ler a prévia do projeto que pode ser desenvolvido na escola envolvendo alunos no processo de aprendizagem, professores e a comunidade.

Leitura solidária

Professor responsável: Denis Basílio de Oliveira – RG.15.444.246-X
Disciplina: Artes
E. E. José Alves de Cerqueira César
Av. São Luiz, 484 – Vila Rosália – Guarulhos – CEP 07072-000
Telefone: 2455-0166
Diretoria Regional Guarulhos - Sul
Alunos envolvidos: ensino fundamental II
Séries: 5ª séries A, B, C, D,
Número de participantes: 140 alunos
Período de realização: março e abril e maio de 2011
Número de horas: 24h

Resumo

O projeto pretende contemplar a leitura (em um primeiro momento) com alunos do ensino fundamental II, uma das prioridades da Proposta Curricular do Estado de São Paulo. E para atingir esse objetivo, será sugerida aos alunos a leitura individual ou em grupo em voz alta de obras da literatura brasileira para ser gravada usando o computador, tecnologia presente e indispensável no mundo contemporâneo. O resultado das gravações será armazenado em CD, e oferecidos por eles a instituições da cidade que abrigam deficientes visuais (cegos), para que tenham a oportunidade de conhecer um pouco da literatura brasileira. Oportunidade em que os alunos exercerão sua cidadania, participando de ações sociais, produzindo e distribuindo cultura, ao mesmo tempo em que adquirem competências para tomar iniciativas em busca de conhecimentos para o efetivo exercício de suas tarefas e aperfeiçoamento da habilidade leitora, de maneira que possa continuar aprendendo.

Justificativa:

A leitura de modo geral, é o que nos faz entender a natureza do universo, e do mundo em que vivemos. É por meio da leitura que podemos nos comunicar, entendendo e nos fazendo entender, seja ela verbal, sonora, gustativa, olfativa, tátil, visual ou por qualquer outra linguagem mais específica como LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais – para surdos/mudos, e BRAILE para cegos. Saber ler é uma questão de sobrevivência. E quanto mais melhorarmos esta habilidade, mais competência teremos para enfrentar a vida em sociedade
Como professor da rede pública estadual, estou envolvido diretamente com o processo de ensino e aprendizagem, observando o comportamento dos alunos, percebendo o que eles gostam nas aulas, onde estão as maiores dificuldades e o que pode provocar algumas dessas deficiências na aprendizagem. Além da observação empírica, muitos dos problemas são apontados pelos próprios educandos ao serem indagados, e por meio de comentários de outros colegas professores que chegaram a mesma conclusão. Agora o que comprova efetivamente as suposições acima, é o resultado do SARESP que analisa o índice de aproveitamento do aluno ano a ano diagnosticando o que ele aprendeu. Um dos resultados demonstra que os alunos ainda não atingiram o nível considerado básico na maioria das escolas.
A maioria dos alunos apresenta dificuldade ao ler e escrever e por esse motivo, evitam os livros. Sabemos que esse é um problema que atinge grande parte da população, não apenas os alunos das escolas públicas. Na Proposta Curricular do Estado de São Paulo, o foco principal, é justamente esse, priorizar a leitura e a escrita. O projeto Leitura Solidária em questão visa trabalhar com os alunos do ensino fundamental a competência da leitura, a fim de despertar neles, interesses que resultem dessa prática. Para tanto, pretende antes de tudo, conscientizar, motivar, mostrar a importância e a aplicação prática que ela tem na vida das pessoas.
Nesse período da vida dos alunos (adolescência), os jovens vão incorporando novas formas de socialização. Etapa propícia para introduzir estas ações.
Sabendo qual é a finalidade de sua ação e dando responsabilidade ao adolescente, acredita-se que ele se senta importante, tenha a sensação de pertencimento, o que contribui com a autoestima. O resultado do seu trabalho, CD gravado, bem como o contato com outra realidade que faz parte do mundo vivido fora da escola, neste caso, a convivência com os cegos que estão de certa forma privados do conhecimento da literatura, pois, existe dificuldade em produzir material para esse público, poderá sensibilizá-lo, para que possa comparar suas dificuldades e necessidade com as apresentadas pelo novo grupo, levando a uma reflexão interior que poderá agregar valores humanos, políticos e sociais.
Outro ponto que justifica a realização desse projeto é que:
Ao participar de um projeto, o aluno está envolvido em uma experiência educativa em que o processo de construção de conhecimento está integrado às práticas vividas. Esse aluno deixa de ser, nessa perspectiva, apenas um “aprendiz do conteúdo de uma área de conhecimento qualquer. É um ser humano que está desenvolvendo uma atividade complexa e que nesse processo está se apropriando, ao mesmo tempo, de um determinado objeto de conhecimento cultural e se formando como sujeito cultural” (Leite, 2007). Isso significa que é impossível homogeneizar os alunos, é impossível desconsiderar sua história de vida, seus modos de viver, suas experiências culturais, e dar um caráter de neutralidade aos conteúdos, desvinculando-os do contexto sócio-histórico que os gerou. (Portal Educação, 2010).

Além de tudo isso, o projeto tem o amparo da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional previsto na Constituição de 1988, indicado nos:
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social:

Justificativa mais do que suficiente para a realização do projeto.

Objetivo:

O projeto visa desenvolver a competência da leitura, em particular da leitura verbal, mais empregada nas relações humanas e na vida em sociedade, onde a informação se torna instrumento de conquista e de poder. Pretende mostrar que o ato de ler, é tão simples como o de falar, e ao mesmo tempo faz os alunos entenderem que o receio, o medo e as dificuldades, são causados pela falta de exercício ou de conhecimento do fato. A prática é o elemento facilitador desse processo que poder romper as barreiras da inibição. Com isso, aparecem as formas de interpretação, ligadas as artes dramáticas, na hora em que se narra, e pode levar os envolvidos a gostar de literatura e adquirir  o hábito de ler. Fundamental para avançar nos estudos.
Associado ao hábito da leitura está a escrita, de igual importância, a qual compõe o tema do próximo projeto, dando continuidade ao processo para desenvolver competências que levem o aluno a continuar aprendendo. 

Metas - Conhecimentos que serão proporcionados:

Espera-se que o aluno melhore sua leitura:
Comece a gostar dos livros;
Conheça autores da literatura brasileira;
Tenha autonomia;
Sinta-se valorizado pelo que faz;
Saiba o que é ação social;
Adquira hábitos de solidariedade;
Torne-se um produtor cultural;
Tenha contato com linguagens diversificadas;
Entenda a amplitude do campo de atuação da Arte como linguagem universal.

Ações:

Gravação de um CD; uso de tecnologias, computador; visita a uma instituição para cegos; Evento de encerramento para a entrega dos CD com uma oficina de modelagem em argila, que pode ser na própria escola ou na instituição envolvida; convidar a imprensa escrita, jornal e revista da cidade; rádio e tevê que compreendam a importância dessa ação a fim de incentivar outras realizações. Registro e divulgação pela internet.

Conhecimentos que serão proporcionados:

Adquirir competência leitora; habilidade narrativa; competência para escolher obras literárias, habilidade para gravar discursos usando o computador; habilidade para reproduzir CD; entonação e postura de voz; contextualização de uma ação social; entendimento do que vem a ser um produtor cultural.

Disciplina envolvida:

Educação Artística - Artes

Procedimentos Metodológicos:

Na sala de aula, intenciona-se problematizar a questão da leitura, sua importância, necessidade e uso prático na vida de cada um. Promover o entendimento global dos diversos tipos e formas de ler o mundo e apresentar formas que facilitam o exercício dessa aprendizagem.
Após levantar questões na sala, os alunos serão convidados a fazer uma visita à biblioteca com o objetivo de ter contato com os livros a fim de escolher o que lhe agradar para fazer o exercício da leitura. Objetivo principal do Projeto Leitura Solidária.
Como cada educando tem o seu tempo para aprender, que pode ser mais rápido ou mais lento do que o outro para assimilar conhecimentos ou realizar uma tarefa, aproveitar essa característica para direcionar a execução dos trabalhos, será uma das metodologias adotadas. Em uma sala de aula, encontram-se os que já possuem o hábito da leitura junto com quem apresenta dificuldades. Aproveitar as diferenças, aliado aos recursos materiais e de equipamentos disponíveis como: microfone, sala ambiente e computador, para dar sequência a gravação começando com aqueles alunos que possuem facilidade e lêem com maior fluência, enquanto dá-se o tempo necessário para os outros colegas exercitarem a sua leitura aguardando a vez de gravar.
Sou favorável ao pensamento dos educadores Fernando Hernández e Montserrat Ventura que diz:
O professor deve deixar o papel de “transmissor de conteúdos” para se transformar em um pesquisador e o aluno por sua vez passa a ser o sujeito do processo ensino aprendizagem. Em um projeto “todas as coisas podem ser ensinadas por meio de projetos, basta que se tenha uma dúvida inicial e que se comece a pesquisar e buscar evidências sobre o assunto”, diz o educador espanhol Fernando Hernández.

“Ensina-se não só pelas respostas dadas, mas principalmente pelas experiências proporcionadas, pelos problemas criados e pela ação desencadeada”.

Finalização do projeto:

O projeto culminará na realização de um evento com oficina de modelagem com argila e a gravação de Compact Disc (CD), oferecidos a uma instituição para cegos.

Cronograma:

As atividades propostas serão desenvolvidas nos meses de março, abril e maio de 2011.
Avaliação:

Será contínua levando em consideração os avanços de cada educando, com notas de o a 10, que farão parte das avaliações oficiais, mesmo sendo considerada atividade extracurricular, pois, acreditando que toda atividade deve ser encarada como curricular. Estando ou não no planejamento escolar.

Equipamento e Materiais a serem utilizados:

- Computador
- Programa Movie Maker ( já incluído no pacote do Office)
- Compact Dics – (CD). A quantidade está vinculada ao número de pessoas que serão ofertadas pelo projeto.
- Microfone
- Sala que possa isolar ruídos externos

Recursos Financeiros:

- Ficam atrelados aos custos de transporte dos alunos da escola para a Instituição contemplada ou dos membros da Instituição para escola.
- Compra de CD.
- Capa para o CD.
- Impressão dos dados do projeto, bem como logotipo em papel offset no interior da capa.
- Compra de argila para a oficina.
Esses valores podem ser estimados em R$ 2.000 (dois mil reais)

Algumas das dificuldades que podem se apresentar:

- Tempo para contatar a instituição e combinar as ações
- Local apropriado para gravar as vozes dos alunos sem a presença dos ruídos locais. Nesse caso, uma sala mais afastada dos barulhos pode servir.

Bibliografia:

Proposta Curricular da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
HERNANDEZ, Fernando. Ventura, Montserrat. A organização do currículo por
        projetos de trabalho – o conhecimento é um caleidoscópio. São Paulo; Artme, 2007.

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